Um dos primeiros contatos do povo brasileiro com o reggae ocorreu ao final dos anos 60, em uma apresentação de Jimmy Cliff em um dos Festivais Internacionais da Canção
Na década de 1970 músicos brasileiros como Gilberto Gil e Jorge Ben Jor são influenciados em suas carreiras pelo ritmo marcante do reggae. Experiências com o reggae foram tentadas por Jards Macalé, Luís Melodia e outros mais, mas foi Gilberto Gil quem levou mais a sério a influência do ritmo jamaicano, realizando um projeto, que vendeu mais de 500 mil cópias, o compacto “Não Chores Mais”, versão em português do sucesso “No Woman, No Cry” do Rei do reggae Bob Marley.
À partir daí, o reggae começa a se espalhar pelos festivais de música nos estados do Pará, Maranhão e na Bahia, caindo rapidamente na graça dos moradores de tais regiões. Simultaneamente, em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo o reggae ganha espaço em alguns bailes realizados na periferia das cidades.
Em 1980, o já proclamado “Rei do Reggae”, Bob Marley vem ao nosso país e promete voltar com o grupo Inner Circle para uma grande turnê por toda a América Latina. Na mesma época, Peter Tosh se apresenta com grande sucesso no Festival de Jazz de São Paulo. O reggae começa a despontar no país e está prestes a invadir todo o território brasileiro, quando a acontece a tragédia: O Rei Bob Marley morre de câncer aos 36 anos, no dia 11 de maio de 1981. Para muitas pessoa, a morte de Marley é a morte do reggae.
Gilberto Gil realiza uma excelente turnê pelo país junto com Jimmy Cliff, mais nem mesmo o sucesso alcançado pela turnê consegue convencer os donos das rádios de que o reggae não morreu. Uma revista da época cria um artigo crítico sobre a turnê, dizendo algo como “agora que o reggae morreu, ele chegou ao Brasil”. Os discos de reggae param de chegar ao país como antes. Parece mesmo ser o fim do reggae. Marginalizado, o reggae se recolheu ao underground.
Contrariando as expectativas, o reggae não fica parado. Começam a surgir as primeiras bandas e fã-clubes brasileiros. Marco Antônio Cardoso funda o Fã-Clube paulista de Bob Marley e Mariano Ramalho o carioca. Em Belo Horizonte Mauro França cria mais um Fã-Clube de reggae. Em Recife surge o grupo Karetas. Edson Gomes com grande sucesso na Bahia e Luís Vagner, Jualê e os Walking Lions em São Paulo começam suas carreiras artísticas no mundo do reggae.
À partir da segunda metade dos anos 80, surgem outras grandes bandas de reggae, impulsionadas pelo estouro do grupo Os Paralamas do Sucesso, que sempre tiveram grande influência do reggae em suas músicas. No maranhão surge umas das bandas de maior sucesso no cenário do reggae brasileiro, a Tribo de Jah, liderada pelo seu vocalista e radialista Fauzi Beydoun, que junto com outros radialistas como Carlos Nina e Ademar Danilo, entre outros, ajudam o reggae a crescer pelo país através dos programas de rádio.
Nos anos 90, os shows de reggae internacionais voltam a acontecer em nossas terras, graças aos esforços de muitos batalhadores que não medem esforços para mostrar que o reggae ao vivo tem mercado em nosso país. Surgem bandas como Cidade Negra e Skank, que levam o reggae para outros públicos, espalhando assim o ritmo por diferentes grupos de pessoas, conquistando grande sucesso em território nacional e iniciando carreiras internacionais. O cantor Edson Gomes e a banda Tribo de Jah também ganham destaque por levarem grandes públicos aos seus shows.
Começam a surgir grandes bandas de reggae e o ritmo cresce a cada dia no país. Muitos citam como a maior banda de reggae brasileiro a banda Natiruts (inicialmente chamada de Nativus, mudando seu nome em seguida), dona de grandes sucessos que estouraram nas rádios e que são muito conhecidos e tocam regularmente nas rádios até os dias atuais. Podemos citar também a banda Maskavo (inicialmente Maskavo Roots), que embalado pela voz de Marceleza levou grandes sucesso com Um Anjo do Céu para as rádios e para a televisão. Outras bandas, adotam um estilo de reggae raiz, como o Ponto de Equilíbrio, Leões de Israel (que recentemente realizarem uma viagem para a Jamaica) e a banda Mato Seco tem atraído grandes públicos para seus shows. Existe também o estilo de reggae que é classificado como uma versão mais pop do ritmo e que está tocando bem nas paradas das rádios hoje em dia, como Edu Ribeiro com os sucessos “Me Namora” e “Sonhos” e Armandinho e Banda com “Desenho de Deus”e “Ursinho de Dormir”, além dos já citados Natiruts e Maskavo que junto com Planta e Raiz, Cidade Negra e outras bandas tem um bom reconhecimento do público e de algumas mídias.
Também é muito comum nos dias atuais, grupos de pagode como Jeito Muleque, grupos de Micareta e Axé como Babado Novo tocarem sucessos de Bob Marley em seus shows, agitando multidões e mostrando que o reggae deve ser ouvido por todos.
A mídia ainda tem muito o que oferecer para apoiar o reggae nacional, vale ressaltar que as pessoa não devem criar barreiras, ouvindo apenas o que é divulgado no rádio e na tv, e sim ir atrás de mais músicas de artistas que estão presentes na mídia e de outras bandas menos conhecidas que podem ser encontradas facilmente na Internet e em nosso arquivo no site. Fica como dica o CD de Edu Ribeiro, contando com excelentes músicas como “Alma Negra” e “Sereia”, as músicas de Armandinho e Banda que ainda não estão nas rádios como “O Justiceiro” e “Starfix” e outras bandas como os gaúchos da Chimarruts, os cariocas do Ponto de Equilíbrio, entre outras.
Busque novos sons, novas bandas e espalhe o ritmo entre amigos e conhecidos. Vamos ajudar o reggae a crescer e ser reconhecido como o ritmo maravilhoso que é, vencendo todas as barreiras e o preconceito ainda existentes. O reggae é grande e tende a crescer cada dia mais.
Fonte :http://www.gostodeler.com.br
Por : Celiane Marques, Taís Nascimento, Jéssica Cerqueira, Lucas Alex e Júlio da Conceição.
